Borda infinita e prainha: o que muda na operação
Borda infinita e prainha são escolhas estéticas com consequências de operação que raramente entram na conversa de projeto.
Borda infinita: a água transborda de propósito
Ela cai numa canaleta e vai para um reservatório.
Desse reservatório, uma bomba devolve a água à piscina. Significa um segundo sistema hidráulico, com bomba própria, nível próprio e manutenção própria.
A piscina passa a ter dois volumes: o da lâmina e o de compensação.
O que isso faz com a evaporação
Aumenta, e bastante.
Água em queda tem contato muito maior com o ar que lâmina parada. A borda infinita é, por desenho, uma cascata permanente, e cascata é o mecanismo mais eficiente de evaporação que existe numa piscina.
Reposição de água em piscina de borda infinita é consistentemente maior que na mesma piscina com borda convencional.
O que isso faz com o aquecimento
Piora muito.
Evaporação é a principal via de perda de calor. Piscina aquecida com borda infinita perde calor pela queda d’água todo o tempo em que a bomba de transbordo estiver ligada.
Quem aquece e tem borda infinita costuma desligar o transbordo quando não está usando, e aí a estética some.
O reservatório de compensação
Ele precisa ser dimensionado.
Tem que absorver o volume que entra quando banhistas deslocam água, mais a lâmina de transbordo, e não pode secar quando a piscina evapora. Reservatório subdimensionado faz a bomba de transbordo sugar ar.
É a falha mais comum em borda infinita mal projetada.
A energia a mais
Duas bombas em vez de uma.
A bomba de filtragem continua necessária. A de transbordo é adicional, e roda sempre que se quer o efeito visual. Em horas de operação, isso dobra a parcela de energia da hidráulica.
Prainha: entrada em rampa
Área rasa que vai até a borda.
Aumenta a superfície de lâmina sem aumentar muito o volume, o que significa mais evaporação e mais demanda de cloro pelo sol por litro de piscina.
Água rasa também esquenta mais rápido e perde cloro mais rápido, porque o ultravioleta atravessa a lâmina inteira.
Circulação na prainha
Ela é zona de estagnação.
Área rasa, longe do skimmer e do retorno, é onde a alga começa. O projeto hidráulico precisa de retorno dedicado apontado para a prainha, senão a limpeza vira escovação manual semanal.
Antes de decidir
Calcule a reposição e a perda de calor.
Os dois crescem com a área de lâmina e com a agitação da água. Com os números na mão, a decisão estética fica informada, e a capa térmica entra no orçamento desde o começo.